Medição de temperatura em estabelecimentos dá valores irreais

Termômetro utilizado não é tão preciso, mas minimiza o contato entre as pessoas
Termômetro utilizado não é tão preciso, mas minimiza o contato entre as pessoas Alberto Valdés/ EFE/ 07.07.2020

A professora Soraya Diniz, 56, conta que, ao entrar em uma galeria em Ipanema, no Rio de Janeiro, na última segunda-feira (20), sua temperatura foi checada pelo segurança como medida de prevenção para a covid-19. Para sua surpresa, o aparelho mostrava 32,9ºC - muito abaixo da média da temperatura normal do corpo, de 36ºC.

“Estava passando muito bem e não tenho nenhuma comorbidade. Não tem nada que justificasse uma temperatura tão baixa. Isso só mostra que esse método é falho”, diz Soraya.

O mesmo aconteceu com Vitor de Oliveira, 20, técnico em eletrônica. Ele afirma que todos os dias sua temperatura é medida antes de ele entrar na empresa em que trabalha e que, várias vezes, o resultado é incoerente.

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“Tem dias que dá 35,5ºC, 35,8ºC, até aí acho ok, já que é bem cedo e ainda está frio, mas tem dias que aparece 34º C, 33º C”, conta Vitor.

O infectologista Marcelo Otsuka, da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), explica que o erro pode ocorrer por conta de uma técnica de medição errada ou devido a um problema no próprio aparelho.

“Para aparecer uma temperatura tão baixa, com certeza foi um erro. Pode ter colocado o aparelho longe demais da pessoa ou então ele pode estar desregulado.”

Otsuka afirma que o tipo de aparelho que está sendo utilizado nos estabelecimentos, o termômetro infravermelho, é menos preciso, porém, é mais seguro, por evitar o contato com os consumidores.

“Caso de uma temperatura tão baixa precisa repetir a técnica e verificar se é um problema com o aparelho.”

O médico acrescenta que mais da metade dos contaminados não possuem sintomas, já entre os sintomáticos, 60% apresentam febre. “Alguns pacientes vão apresentar febre logo no início e outros vão ter esse sintoma mais tardiamente.”

Otsuka acredita que, mesmo não sendo uma medida tão eficiente, ainda sim ela é válida.

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“Se você está com febre, não é para sair, se está doente, se sentindo mal. Mas como nós temos uma população que está muito pouco engajada nas medidas de proteção, se a pessoa não respeitar isso, essa acaba sendo mais uma estratégia necessária.”

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini



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