Carnaval já foi adiado duas vezes no Brasil, mas o povo não respeitou

Reprodução de jornal de 1912 anunciando o adiamento do carnaval
Reprodução de jornal de 1912 anunciando o adiamento do carnaval Reprodução/Biblioteca Nacional

O carnaval de 2021 em São Paulo foi adiado para o final de maio ou início de julho do ano que vem por causa da pandemia do coronavirus, conforme anunciou o prefeito Bruno Covas (PSDB) nesta sexta-feira (24). Outras cidades com carnaval tradicional, como Rio, Recife e Salvador, podem também adiar a folia do ano que vem. 

Não é a primeira vez que isso acontece. Em outras duas ocasiões, a festa do carnaval também foi adiada pelo governo, nos anos de 1892, no Rio, e 1912, em todo o país. Mas o povo comemorou assim mesmo.

A primeira vez que se tem notícia de um adiamento do carnaval foi em 1892. Na época, o carnaval deveria ocorrer entre 28 de fevereiro e 1º de março, mas o ministro do Interior, Dr. Cesário Alvim, atendeu a um pedido do intendente do Rio de Janeiro, Major França Leite, e determinou o adiamento para o final de junho por causa de problemas de falta de limpeza das ruas.

Em seu pedido, França Leite escreveu: "A época do carnaval é no rigor da estação calmosa, e quando as epidemias maior número de vidas arrebatam; que sempre depois do carnaval recrudescem extraordinariamente as epidemias reinantes."

Segundo jornais da época, a polícia reforçou a fiscalização nas lojas em fevereiro para que fossem retiradas das vitrines mercadorias referentes ao carnaval. Os foliões não foram às ruas, mas o carnaval foi comemorado em festas e clubes. Quando chegou junho, por causa do frio, não houve muita adesão aos eventos de rua.

O segundo adiamento aconteceu em 1912, por causa da morte do Barão do Rio Branco, ocorrida no dia 10 de fevereiro daquele ano, uma semana antes do carnaval. O governo determinou que em respeito ao Barão, os bailes de carnaval deveriam ser adiados para 6 de abril.

A ideia não deu muito certo. A população desrespeitou  a determinação e pulou carnaval duas vezes: em fevereiro e em abril. E ainda criou uma marchinha: “Com a morte do barão, / tivemos dois 'carnavá'. / Ai, que bom, / ai, que gostoso / se morresse o marechá”, em referência ao Marechal Hermes da Fonseca, presidente do Brasil na época.

Charge mostra que o povo não respeitou o adiamento do carnaval de 1912
Charge mostra que o povo não respeitou o adiamento do carnaval de 1912 Reprodução/Biblioteca Nacional


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