Grupo pode ter lucrado R$ 150 mil com atos antidemocráticos, diz PGR

Manifestação pró-Bolsonaro em Brasília
Manifestação pró-Bolsonaro em Brasília RICARDO JAYME/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO


Aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) podem ter lucrado mais de R$ 150 mil com a divulgação de atos antidemocráticos, que pedem o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR).

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A suspeita é que parlamentares, empresários e donos de sites bolsonaristas atuariam em conjunto em um "negócio lucrativo" de divulgação de manifestações contra as instituições democráticas. 

De acordo com o vice-procurador-geral, Humberto Jacques, dois canais pró-governo no Youtube, Folha Política e Foco do Brasil, podem ter embolsado até R$ 157 mil com transmissões dos discursos de Bolsonaro em protestos recentes.

A arrecadação viria de parcerias, assinaturas, eventuais compras de produtos oferecidos pelos canais e até de anúncios pagos por empresas e órgãos públicos.

"Com o objetivo de lucrar, estes canais, que alcançam um universo de milhões de pessoas, potencializam ao máximo a retórica da distinção amigo-inimigo, dando impulso, assim, a insurgências que acabam efetivamente se materializando na vida real, e alimentando novamente toda a cadeia de mensagens e obtenção de recursos financeiros", diz Jacques em uma das peças do inquérito.

O vice-procurador cita dados de relatórios de uma empresa especializada em análises estatísticas de páginas do YouTube, segundo os quais, a Folha Política, por exemplo, pode ter faturado entre US$ 6 mil e US$ 11 mil com a live do presidente do dia 3 de maio em frente ao Palácio do Planalto.

Já o vídeo da participação de Bolsonaro no ato de 19 de abril, dia do Exército, pode ter rendido ao Foco do Brasil, segundo a PGR, entre US$ 7,55 mil e US$ 18 mil.

A manifestação em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, que pedia intervenção militar e o fechamento do Congresso e do STF, foi o ponto de partida para a abertura do inquérito que apura a organização e o financiamento de manifestações contra a democracia.

Jacques destaca ainda que "há uma escalada em que mensagens apelativas produzem propagação e dinheiro; e a busca por dinheiro gera a necessidade de renovação de bandeiras com grande apelo e propagação".

Na semana passada, mandados de busca e apreensão contra apoiadores do governo foram cumpridos no âmbito na investigação. Além disso, o sigilo bancário de dez deputados e um senador, todos bolsonaristas, foi quebrado.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF, também determinou que YouTube, Facebook e Instagram prestem informações se as páginas mantidas pelos alvos da operação recebem algum tipo de pagamento por cada postagem.



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