São Paulo, Brasil
"A CBF é hoje uma grande empresa brasileira, com gestão e resultados na proporção do seu porte. Chegamos a mais de meio bilhão de reais investido no futebol nacional apenas em 2019."
"Se considerarmos os últimos três anos, os valores aportados superam R$ 1,37 bilhão."
As frases são do presidente da CBF, Rogério Caboclo.
Ele comemorava, há dez dias, um aumento de receita de 43%, em relação a 2019.
Jamais a CBF ganhou tanto dinheiro.
Ele veio de três fontes: patrocínios, direitos de transmissão e ainda o Fundo de Legado da Copa do Mundo de 2014.
O que seria uma demonstração de competência em saber explorar o futebol, se tornou para prova de egoísmo inexplicável.
A entidade serve, na prática, para organizar os campeonatos nacionais e administrar a seleção brasileira.
Sua riqueza destoa com a esmagadora pobreza dos clubes brasileiros.
A pandemia tornou tudo mais nítido.
Os capitães dos clubes da Série C acabam de divulgar um pedido tão eloquente quanto assustador.
Eles imploram a ajuda financeira da bilionária CBF.
"Nos apresentamos diante da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com a intenção de solicitar a doação de recursos para os clubes da Série C, com dedicação exclusiva de manter em dia o pagamento dos salários e imagens de seus atletas, afim de auxiliar, ou ao menos minimizar, os impactos financeiros advindos desta enorme crise mundial."
Sim, os capitães da Série C sabem que os clubes que representam não terão recursos para manter os pagamentos dos jogadores. Não enquanto o futebol estiver parado para evitar o contágio com o terrível vírus.
Por infeliz coincidência, para a CBF, a Liga Espanhola, a Conmebol e a clubes grandes alemães mostraram atitude, solidariedade.
A Liga Espanhola conseguiu junto aos bancos uma linha de crédito de R$ 500 milhões de euros, cerca de R$ 2,7 bilhões. Para serem pagos em seis anos, com juros muito mais baixos que o normal.
A Conmebol decidiu antecipar 60% das cotas de tevê.
Os clubes alemães que disputam ou disputaram a Champions de 2019/2020, Bayern de Munique, Borussia Dortmund, Red Bull Leipzig e Bayer Leverkusen, decidiram disponibilizar 20 milhões de euros, cerca de R$ 110 milhões, às equipes menores, mais necessitadas.
Só que no Brasil, a situação segue diferente.
Até o pedido dos capitães da Série C, a cúpula da CBF se mantinha distante, fingindo não perceber o caos já vivido pelas equipes pequenas. E que irá piorar com o período sem jogos por conta do coronavírus.
Mas a pressão da imprensa começa a aumentar.
Como também das redes sociais.
Com torcedores cobrando não da CBF.
Mas dos seus bilionários patrocinadores.
Nike, Vivo, Itaú, Ambev, Mastercard, Cimed, Semp TCL e Fiat.
Caboclo está encurralado.
A Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol exige que ela garanta o pagamento do salário dos jogadores. Do mês de março. E os 20 dias das férias de abril.
A direção da bilionária cúpula da CBF alega que só teve como lucro R$ 190 milhões em 2019. O restante foi gasto com incentivo ao futebol no país.
Mas a pressão vai aumentar.
Clubes e atletas exigem que a CBF os ajude.
Só que está claro.
Caboclo não quer colaborar financeiramente.
O dinheiro da CBF é da CBF.
Situação lastimável...
Em quarentena, jogadores têm apoio da família para passar tempo
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