Mayra diz que aplicativo TrateCov 'poderia ter salvo muitas vidas'

Mayra Pinheiro, secretária no Ministério da Saúde
Mayra Pinheiro, secretária no Ministério da Saúde Jefferson Rudy/Agência Senado - 25.05.2021

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou nesta terça-feira (25) à CPI da Covid, no Senado, que o aplicativo TrateCov, plataforma desenvolvida pelo governo para orientar profissionais de saúde sobre tratamento precoce contra covid-19, "poderia ter salvo muitas vidas".

O sistema sugeria receitar remédios na fase inicial da doença, mesmo não havendo indicação científica e de autoridades sanitárias, caso da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O aplicativo teria em seu banco de dados oito possibilidades de medicamentos, incluindo hidroxicloroquina e ivermectina.

O TrateCov ficou acessível por alguns dias em janeiro, e pessoas postaram simulações na internet com as recomendações que receberam. Segundo Mayra Pinheiro, "o sistema não foi colocado no ar", e um jornalista teria feito uma extração de dados de um protótipo na página do Ministério da Saúde e iniciado simulações na internet.

Com a polêmica, o projeto foi cancelado a mando do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Na semana passada, o ex-ministro apontou à CPI que a ideia do aplicativo foi de Mayra Pinheiro. 

Nesta terça, ela defendeu a iniciativa. "Essa ferramenta, senhores, poderia ter salvo muitas vidas em auxílio aos testes diagnósticos. Ela poderia ter ajudado a Secretaria Estadual de Manaus [do Amazonas], a municipal, a diagnosticar precocemente e proceder ao isolamento dos comprovados, acompanhado os suspeitos, e tudo isso foi perdido com essa invasão", afirmou. Ela afirmou que a letalidade caiu muito em cidades do mundo onde ideias semelhantes foram adotadas, mas não detalhou os municípios.

A possibilidade de médicos prescreverem em comum acordo com os pacientes remédios como a cloroquina e a ivermectina é uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro desde o início da pandemia. Tanto o presidente, quanto Mayra Pinheiro nesta terça, afirmam haver estudos indicando a possibilidade. O TrateCov foi baseado em pesquisas, defendeu a secretária. 

Há também pesquisas comprovando a ineficácia. Governos que inicialmente apostaram no medicamento, como o dos EUA, abandonaram a utilização. No Brasil, órgãos como a Associação Médica Brasileira repudiam a utilização. Já o CFM (Conselho Federal de Medicina) entendeu que não há comprovação suficiente para mudar recomendação do órgão para que a utilização desses remédios seja definida em acordo entre médico e paciente.

Protocolo

Apesar das polêmicas envolvendo estudos, mudanças de bula de remédios e a retirada do ar do TrateCov, o governo ainda tenta avançar na possibilidade da prescrição de medicamentos para o tratamento precoce.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou à CPI no início do mês que considera a classe médica está dividida sobre o uso de remédios para tratamento precoce contra a covid-19. Por isso, ele quer rapidez na definição de um protocolo que poderá recomendar uso. O tema é analisado pelo Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde), órgão do Ministério da Saúde que vai gerar o protocolo para o tratamento precoce.



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