Hungria abre estádios, museus e cinemas para quem se vacinou

Certificado é dado até para quem tomou só uma dose
Certificado é dado até para quem tomou só uma dose Attila Balazs/EFE/EPA - 01.04.2021

Estádios sem limite de capacidade ou máscaras, interiores de bares e restaurantes cheios, e museus e cinemas que reabrem suas portas. A Hungria vive seu primeiro fim de semana de nova normalidade para quem tem um certificado de vacinação contra a covid-19.

O chamado “certificado de proteção” está no centro de um grande plano para retornar gradativamente à normalidade. No entanto, também atraiu críticas porque, argumentam, dá uma falsa sensação de segurança e é discriminatória.

O governo húngaro diminuiu as restrições quando lidera a vacinação na União Europeia, com 48% da população adulta do país de quase 10 milhões de pessoas tomando pelo menos a primeira dose. 22,6% já receberam os dois.

 

Os protegidos

 

Aqueles que foram imunizados podem ter acesso a um cartão tipo cartão denominado “certificado de proteção”, que abre as portas para o retorno à normalidade.

Desde sábado (1º), os húngaros que têm o documento podem entrar em restaurantes e bares, assistir a partidas de futebol e outros eventos esportivos sem precisar usar máscaras, assim como ir a museus, cinemas, zoológicos e ginásios, entre outros lugares de lazer.

Vacinação, única arma

O primeiro-ministro, o ultranacionalista Viktor Orbán, repetiu nas últimas semanas que a "única arma" contra o vírus é a vacinação e prometeu uma reabertura gradual.

A Hungria foi o primeiro país da União Europeia a começar a usar vacinas não autorizadas pelo bloco, como a chinesa Sinopharm e o russo Sputnik V.

O país tem cinco vacinas aprovadas. Além do composto da Sinopharm e o Sputnik V, aplica os imunizantes da Pfizer, Moderna e de Oxford. 

O certificado de vacinação húngaro não especifica qual medicamento foi utilizado.

“Atualmente na Hungria há quatro milhões de pessoas com a primeira dose e metade com a segunda. Aqueles que receberam a primeira ainda não foram imunizados”, destaca Gabriella Lantos, economista especialista em gestão de saúde, à EFE. 

Quem tomou apenas uma dose já ganha o certificado.

Segundo a especialista, a abertura atual corre o risco de os números voltarem a disparar, já que o documento não garante imunidade total.

O fato de poder assistir a jogos de futebol sem máscara é para Lantos "uma roleta russa". No entanto, a maioria dos cidadãos reagiu com cautela à reabertura do lazer durante este primeiro fim de semana.

Apesar de não ter havido limitações de capacidade, o jogo em casa do clube mais popular do país, o Ferencváros, contou com apenas 3 mil adeptos na noite de sábado. O estádio tem capacidade para 22 mil.

A ONG União pelos Direitos Fundamentais, uma das mais críticas ao governo, também argumenta que se alguém for imunizado não há motivo para limitar sua movimentação e atividades, mas quem recebeu apenas a primeira dose não pode ter o mesmo tratamento.

Portanto, considera discriminatório que as pessoas que ainda podem se infectar obtenham o cartão e exijam que ele seja entregue apenas para aqueles que receberam a imunização completa ou superaram a doença.

“Se quem tem o certificado ainda puder infectar, a base da diferenciação será apenas a obtenção do cartão. Essa diferenciação é inaceitável, discriminatória e inconstitucional”, afirma a ONG.



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