João Pinho, ex-chefe de gabinete da SES (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais) negou, nesta segunda-feira (3), que tenha tentado burlar as investigações sobre possível esquema de fraudes na vacinação de servidores da pasta.
Durante depoimento prestado na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga o caso, na ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais), o servidor disse que foi injustiçado ao ser exonerado do cargo.
Pinho foi demitido no último dia 22 de abril após o vazamento do áudio de uma reunião em que ele teria sugerido retirar do home office dois funcionários da equipe de comunicação da SES que já estavam vacinados e continuavam trabalhando em casa. A gravação deixa a entender que a medida seria para evitar "exposição" da dupla em meio à investigação sobre o caso dos fura-filas.
— Fui injustiçado nesta situação. Não cometi nenhum crime ou irregularidade.
Durante o diálogo, um homem que se apresenta como Pinho deixa a entender que analisava alterar uma resolução da Secretaria Estadual de Saúde para justificar a mudança no regime de teletrabalho de servidores. Na CPI, entretanto, o ex-chefe de gabinete defendeu que não houve uma tentativa de driblar a investigação e, sim, uma adequeção à norma que limitava o número de trabalhadores presenciais em 50% do quadro de funcionários.
— Quandro chegamos neste ano [2021] encontramos uma nova realidade com a possível segunda onda [da pandemia]. Precisávamos alterar [a norma] para a Secretaria de Saúde conseguir continuar a trabalhar de forma intensiva.
Durante o depoimento, João Pinho ainda defendeu que sua atuação e escolha dos funcionários de sua equipe para vacinação foi baseada em critérios técnicos e dentro das normas e afirmou que não sabe quem teria vazado o áudio da reunião. Ele reconheceu que participou do encontro gravado, junto com outras quatro pessoas.
CPI
A CPI dos Fura-Filas foi instaurada em março deste ano, após o R7 revelar as supostas irregularidades na imunização dos servidores da Secretaria Estadual de Saúde.
Nesta quarta-feira, os deputados vão ouvir ex-assessora-chefe de comunicação social da Secretaria de Estado de Saúde, Virgínia Cornélio da Silva, exonerada após a divulgação do caso e Janaína Fonseca Almeida, diretora de Vigilância de Agravos Transmissíveis da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Elas serão ouvidas na condição de investigadas.
Leia também: Governo de MG abre processo contra 3 servidores por vacinação irregular
A reportagem tenta contato com as servidores que irão depor amanhã. Na última semana, Virgínia já havia dito à reportagem que está à disposição para esclarecer todos os fatos necessários e que não cometeu irregularidades.
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