O que se sabe sobre o câncer e a covid-19 até o momento

O que se sabe até agora sobre a relação entre o câncer e a covid-19? Depois que um homem de 61 anos diagnosticado com câncer apresentou remissão da doença após a contaminação pelo novo coronavírus, surgiu uma série de questões relacionadas a pacientes oncológicos e a covid-19. No caso, publicado no British Journal of Haemathology, a principal hipótese é a de que a contaminação acelerou a resposta imune do organismo. O oncologista Luis Henrique de Carvalho explica que não há uma informação sobre a covid associada diretamente ao câncer. Ele ressalta que é importante que o paciente oncológico continue fazendo os exames e não interrompa o tratamento. De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), há uma expectativa de que de 60 mil a 90 mil casos tiveram o diagnóstico atrasado em decorrência da pandemia. Isso porque, além de os exames serem feitos com mais cautela, a pandemia gerou medo nos pacientes de sair em busca do sistema de saúde


No caso do homem de 61 anos que teve uma remissão do câncer após contrair covid-19, há o detalhe de que ele foi diagnosticado com linfoma de Hodgkin, um tipo de tumor que afeta diretamente os tecidos que produzem as células responsáveis pela imunidade. Pode haver a mesma possibilidade com outros tipos de câncer? A remissão do linfoma está muito mais ligada ao tipo de linfoma ou ao subtipo que ele apresenta do que à covid-19, segundo o oncologista. Ele destaca que alguns deles são curáveis. "Foi uma conjunção de duas doenças, mas não há dados para que a gente relate que uma ou outra tenha intervenção direta na sua cura ou expansão", diz. Em casos como o do linfoma de Hodgkin, é comum que o próprio sistema imune trabalhe de forma normal e consiga a remissão da doença. "Ele provavelmente teve uma coincidência, mas geralmente essa resposta imune não é exacerbada a ponto de resolver um processo oncológico", afirma Carvalho

Ainda sobre este caso, assim como a covid-19 estimulou uma resposta do sistema imunológico, isso pode ocorrer com outra infecção viral ou bacteriana? Sim, de acordo com o médico. Mas a resposta imune não acelera a ponto de se tornar uma resposta contínua. "Como as infecções são variáveis, você ter uma infecção amanhã ou não, é algo pontual. Não há uma relação de que essas ativações imunes podem proteger você de uma forma maior ou menor em relação a outra doença", diz



Quem teve câncer tem maior risco de contágio do coronavírus ou só quem está em tratamento? Quem está em quimioterapia tem risco aumentado porque o medicamento baixa o sistema imune. Já para quem faz um tratamento menos intenso ou está apenas em acompanhamento, o risco é igual ao da população em geral, os cuidados são os mesmo, como higienização das mãos, uso de máscara e distanciamento social. Quem teve câncer e já fez o tratamento cirúrgico, a quimio ou a radioterapia, o risco também é igual ao da população em geral, porque seu sistema imune não está comprometido, ressalta o médico

Quem está em tratamento contra o câncer pode tomar a vacina contra a covid-19? Sim, afirma o oncologista. Com exceção daqueles que estão fazendo quimioterapia de maior intensidade. Nesses casos, a recomendação é a de que procure avaliação do oncologista, que vai informar se há comprometimento da imunidade em virtude do tratamento mais agressivo e se a vacina é contraindicada

O que um paciente com câncer deve fazer para se proteger do coronavírus? Para o paciente que está em uma quimioterapia mais intensa, é importante que ele converse com seu médico e siga um cuidado mais rigoroso, como se manter afastado das aglomerações, usar a máscara de forma mesmo dentro de casa, usar álcool em gel e lavar as mãos constantemente, de acordo com Carvalho

Quais os cuidados devem tomar as pessoas que convivem com uma pessoa em tratamento contra o câncer? O oncologista destaca a importância da orientação correta sobre os cuidados, inclusive para quem convive com esse paciente. "Se um paciente está em quimio mais intensa, é importante também orientar os familiares sobre as medidas de segurança, pois o risco de contaminação desses pacientes é maior não apenas em relação ao coronavírus, mas em relação a outras doenças. Então, eles também precisam usar máscaras dentro de casa, higienizar as mãos e evitar aglomerações", afirma. "É importante que os pacientes não abandonem seus tratamentos", finaliza



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