Araújo condena invasão nos EUA e sugere investigar 'infiltrados'

O ministro Ernesto Araújo
O ministro Ernesto Araújo Marcello Casal Jr./Agência Brasil

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, condenou nesta quinta-feira (7) em uma rede social a invasão da sede do Congresso dos Estados Unidos ocorrida na véspera, mas sugeriu que se investigue a participação de possíveis "elementos infiltrados" no ato.

"Há que lamentar e condenar a invasão da sede do Congresso ocorrida nos EUA ontem (quarta)", disse o chanceler brasileiro, em sua conta no Twitter. "Há que investigar se houve participação de elementos infiltrados na invasão", emendou ele.

Não há evidências no momento de que tenha havido a participação de infiltrados na invasão realizada por apoiadores do presidente dos EUA, Donald Trump. De forma inédita, eles invadiram a sede do Legislativo e impediram temporariamente a realização da sessão que certificou a vitória do democrata Joe Biden na eleição presidencial de novembro.

Numa série de tuítes, o chanceler brasileiro afirmou ainda que há que se "deplorar e investigar a morte de quatro pessoas", incluindo uma manifestante pró-Trump, atingida por um tiro dentro do Congresso.

Tanto Araújo como o presidente Jair Bolsonaro apoiaram a reeleição de Trump.

Nesta quinta, Bolsonaro disse que o Brasil poderá passar em 2022 por uma situação pior do que a dos EUA na véspera se não for adotado o voto impresso. Desde a sucessão de 2018, quando venceu no segundo turno em votação feita por urna eletrônica, ele tem dito - sem evidências - que há fraude no atual sistema de votação brasileiro.

O ministro das Relações Exteriores disse que é preciso reconhecer que "grande parte do povo americano" se sentiu "agredida e traída por sua classe política e desconfia do processo eleitoral".

"Há que distinguir 'processo eleitoral' e 'democracia'. Duvidar da idoneidade de um processo eleitoral não significa rejeitar a democracia. Ao contrário, uma democracia saudável requer, como condição essencial, a confiança da população na idoneidade do processo eleitoral", disse.

"Há que parar de chamar 'fascistas' a cidadãos de bem quando se manifestam contra elementos do sistema político ou integrantes das instituições. Deslegitimar o povo na rua e nas redes só serve para manter estruturas de poder não democráticas e seus circuitos de interesse", emendou.

O chanceler afirmou ainda que "nada justifica" uma invasão como a da véspera. "Mas ao mesmo tempo nada justifica, numa democracia, o desrespeito ao povo por parte das instituições ou daqueles que as controlam", disse.



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