Anvisa aprova pedido de uso de 4,8 milhões de doses da CoronaVac 

A CoronaVac será produzida no Brasil pelo Instituto Butantan
A CoronaVac será produzida no Brasil pelo Instituto Butantan Isaac Fontana/Framephoto/Estadão Conteúdo

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou  por unanimidade nesta sexta-feira (22) o novo pedido de uso emergencial feito pelo Instituto Butantan de 4,8 milhões de doses da CoronaVac, vacina contra a covid-19 desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac que será produzida no país pelo Butantan, em São Paulo.

Este segundo pedido trata do envase, pelo próprio Instituto Butantan, da vacina em frasco-ampola multidose. Ou seja, as duas principais diferenças em relação às doses liberadas no último domingo (17) são o local de envase da vacina e o tipo de embalagem que será utilizada.

A solicitação também se estende aos 46 milhões de doses ja acordados com o Ministério da Saúde, sem necessidade de nova solicitação. Seis milhões de doses já foram fornecidos pelo Butantan para o início do plano nacional de vacinação, realizado na segunda-feira (18).

Após a gerência técnica da Anvisa recomendar a liberação do uso emergencial do segundo lote, a relatora Meiruze Freitas, primeira diretora a votar, se manifestou a favor da aprovação, considerando os novos dados apresentados, a autorização concedida na semana passada e o cenário da pandemia."Ressalvadas algumas incertezas, os benefícios conhecidos e potenciais da vacina superam os riscos", afirmou.

Ela reiterou que os resultados dos estudos de imunogenicidade (capacidade de desencadear a produção de anticorpos pelo organismo) da CoronaVac devem ser apresentados pelo Instituto Butantan até o dia 28 de fevereiro. "Essa informação é essencial para a conclusão sobre a duração da resposta imunológica", disse.

Em seguida, os diretores Romison Rodrigues Mota e Alex Campos seguiram o voto de Mariuze, formando a maioria simples necessária para a liberação. A diretora Cristiane Gomes e o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, deram parecer favorável logo na sequência.

Torres destacou que o uso emergencial é temporário e restrito a camadas bem definidas da população. Isso significa que a aplicação em massa do imunizante só será possível após o registro definitivo na Anvisa.

Assim como na ocasião da primeira autorização, os diretores enfatizaram que a aprovação da vacina é ainda mais urgente diante da falta de medicamentos específicos para tratar a covid-19.

O novo pedido foi feito na segunda-feira (18), um dia após a aprovação, por unanimidade, do pedido de uso emergencial de 6 milhões de doses da CoronaVac que já estavam em território nacional, e de 2 milhões da vacina de Oxford, que chegaram nesta sexta-feira (22) da Índia - primeiros imunizantes contra a covid-19 aprovados para uso no país.

Os documentos apresentados pelo Butantan - desta vez, 933 páginas - foram analisados por duas áreas técnicas da Anvisa: área de eficácia, segurança e qualidade da vacina e área de inspeção e fiscalização. Não foi preciso fazer a avaliação de gerenciamento de riscos, pois ela já havia ocorrido no domingo (17).

A decisão será publicada no portal da Anvisa e passa a valer a partir do momento em que o laboratório for comunicado oficialmente. Isso deve ocorrer no prazo de duas horas após a reunião, de acordo com a agência.

Segundo o Butantan, as vacinas serão disponibilizadas ao Ministério da Saúde na próxima semana.

A aprovação desse segundo pedido ocorre quatro dias depois da solicitação - a primeira levou nove dias. Entre os fatores que facilitaram essa segunda aprovação está o fato de um volume maior de documentos já ter sido revisado para a primeira autorização. "Muitos documentos, estudos e dados são comuns aos dois pedidos", ressaltou a Anvisa.

 



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