Análise: Quem muito idolatra se decepciona (ou finge)

É preciso analisar o pronunciamento de ontem do diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus sob vários aspectos, pois o que parece apenas um desabafo traz muita informação subentendida. “Tenho mantido contato com altas autoridades chinesas e, mais uma vez, deixei claro que a missão é uma prioridade para a OMS”, disse ele e acrescentou: “Hoje soubemos que as autoridades chinesas ainda não finalizaram as permissões necessárias para a chegada da equipe na China.”

Tedros Adhanom Ghebreyesus, benevolência diante dos chineses
Tedros Adhanom Ghebreyesus, benevolência diante dos chineses Denis Balibouse/Reuters - 11.02.2020

O que a OMS alega ser “prioridade” é o envio de seus especialistas para estudar de perto, em Wuhan, epicentro da pandemia, as origens do novo coronavírus e como ele supostamente saiu de animais e passou para seres humanos. Diante disso, há alguns pontos a serem analisados.

Origem do vírus – Se a própria OMS quer que seus especialistas em coronavírus estudem as origens da doença é porque até mesmo para eles, tão admiradores dos chineses, essa pergunta permanece sem respostas. Se a China tivesse a clareza e as boas intenções, antes tão elogiadas por Ghebreyesus, por quais razões não permitiria a entrada de especialistas da entidade responsável mundialmente pelo assunto no meio de uma pandemia?

Prioridade – O governo chinês divulgou os primeiros casos de covid-19 em 31 de dezembro de 2019, logo, fica difícil compreender como alguém pode classificar como “prioridade” a missão de buscar respostas para algo tão nebuloso reportado há mais de um ano.

Decepção – O diretor geral demonstra muito mais benevolência do que decepção. Aliás, seu nível de paciência chega a ser fora do comum para alguém em sua posição. Qualquer pessoa à frente de uma organização dessa envergadura estaria pressionando com veemência e buscando apoio dos governos do mundo todo para fazer a China ceder. Nenhum profissional minimamente competente estaria com essa calma toda diante de uma crise sem precedentes, na qual o país que originou todo o problema só tem se beneficiado.

Passividade – E qual tem sido o papel dos governos de boa parte do mundo diante dessa catástrofe que não envolve apenas saúde, mas que quebrou a economia e que promete deixar um legado de pobreza, fome e muito mais mortes do que o próprio vírus foi capaz de causar? Os poderosos estão calados, passivos ou, como diz Ghebreyesus, decepcionados.

Se a China está dando as cartas nesse grande jogo – cujas regras só não entende quem está distraído demais combinando a máscara com o look do dia – é porque os governos estão permitindo. E essa permissividade obviamente não é de graça. Há muitos interesses em jogo e toda uma agenda pré-programada que tem pressa em avançar.

Quanto à população, resta apenas assumir o papel de marionete nessa tremenda encenação, mantida bem atada por cordas em forma de regras, ainda que sem pé nem cabeça. O roteiro é simples: manter o papel de que tudo isso é para o bem de todos, com a esperança de que todos mantenham seu papel de acreditar em tudo.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.



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