Médicos parariam esporte devido à covid, mas fator econômico impede

Mesmo com estádio vazios, médicos paralisariam competições esportivas
Mesmo com estádio vazios, médicos paralisariam competições esportivas André Fabiano/Estadão Conteúdo - 13.12.2020

O aumento do número de mortos e infectados com o novo coronavírus trás à tona a continuidade ou não das competições esportivas. Nas últimas semanas, os clubes de futebol foram atingidos diretamente pela pandemia, como exemplo a 22ª rodada da competição chegou a ter 60 desfalques devido à doença. Mesmo assim, nenhuma das partidas foram canceladas ou adiadas, como determina o protocolo médico da CBF assinado por todos os times da Série A.

Mas será que esta seria a hora de paralisar as competições? De acordo com a infectologista Lina Paola, do Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo, a situação atual não é a mesma do começo da pandemia no Brasil, mas o cuidado segue sendo fundamental.

“Ainda não estamos na mesma situação de março, abril e maio. A princípio para fechar tudo novamente, tem de esperar um levantamento mais completo até o fim do mês, começo de janeiro. Infelizmente, não temos como prever os próximos meses. Precisamos esperar e manter medidas de isolamento”, explica a médica.

Para Pedro Oliveira, fundador da consultoria OutField, focada em negócios e estratégia em esporte, a paralisação é bem difícil diante das questões de financeiras e dos interesses comerciais.

“Sou contra a paralisação, por questões econômicas. As entregas têm de ser feitas para televisão e patrocinadores, mas em um momento de crise como o que vivemos, temos de encontrar soluções mais flexível”, afirma Pedro ao falar sobre a manutenção das partidas mesmo com muitos atletas e profissionais de comissões técnicas infectados.

A CBF, os clubes e os atletas não se manifestam publicamente sobre uma paralisação, mas é sabido que não há interesse entre os profissionais e entidades em retroceder a retomada do futebol.

Esporte de contato aumenta risco de transmissão do vírus
Esporte de contato aumenta risco de transmissão do vírus Beto Miller/Divulgação Corinthians Basquete

O calendário apertado, com muitos jogos, é o principal motivo para essa postura das pessoas ligadas ao esporte. “Sabemos que o calendário está apertado e é uma das causas da decisão extrema de não adiar nenhuma partida. Mas isso os jogos deveriam ser remarcados, mesmo que com menos tempo entre eles”, diz o consultor.

Pedro usa como modelo a liga de futebol américa. “Todo dia tem jogo da NFL na televisão, nos Estados Unidos, a situação é de crise”, finaliza.

Questões técnicas

De acordo com o Ministério da Saúde quase 182 mil pessoas morreram devido à covid-19. Até que a vacinação não seja feita no Brasil a única medida de prevenção à doença é o isolamento social. Logo, os esportes de contato são mais fáceis para a transmissão do vírus.

“Os esportes de uma pessoa só, não vejo problema. Mas os esportes de contato em algum momento vão ter um conjunto de fatores para a pessoa se contaminar. Somos humanos, passíveis de erros e, infelizmente, com o passar do tempo aumenta muito chance de contaminação de quem pratica essas modalidades”, lamenta a infectologista Lina Paola.

A médica entende que muitos fatores definem a continuidade dos campeonatos. Mas, ela reforça que se a decisão fosse apenas técnica, a decisão seria diferente. “Sabemos que as pessoas estão cansadas e os campeonatos são uma diversão para todos. Mas, se fosse apenas uma questão médica, teríamos voltado um passo atrás. Mas são decisões amplas que não dependem só as questões técnicas”, diz ela.

A reportagem do R7 entrou em contato com a assessoria de imprensa da CBF e não obteve resposta sobre uma possível paralisação do Brasileiro das quatro divisões e da Copa do Brasil.

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