União repassou R$ 17 bi a estatais para cobertura de despesas em 2019

Ministério da Economia divulga relatório sobre despesas com estatais
Ministério da Economia divulga relatório sobre despesas com estatais Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A União transferiu R$ 17,1 bilhões na forma de subvenções para cobrir despesas das 18 estatais dependentes em 2019, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (20) pelo Ministério da Economia. Trata-se da primeira edição do Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais ­– espécie de raio-x das 46 estatais de controle direto da União.

De acordo com o relatório, as estatais dependentes, que são as que precisam dos  recursos da União para pagamento de funcionários e custeio, têm 448 mil empregados, representando despesa de pessoal da ordem de R$ 101 bilhões. Somente em benefícios relacionados à assistência à saúde, as estatais pagaram R$ 10 bilhões, compreendendo um total de 1,67 milhão de pessoas, entre funcionários, dependentes e aposentados. Os gastos com previdência complementar chegaram à casa de R$ 8,1 bilhões.

Acordos políticos dificultam privatizações, reafirma Guedes

Essas empresas são diferentes de companhias como o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento), que apesar de ser controlado pela União possui fontes próprias de financiamento, sendo considerado portanto não dependente.

O relatório também conclui que algumas empresas chegam a pagar salários potenciais para a diretoria de até R$ 2,7 milhões por ano, consideradas as participações nos lucros e resultados. Em alguns casos, os reajustes salariais frente à inflação tiveram ganhos reais, mesmo diante da maior crise da economia brasileira.

Segundo o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados/ME, Diogo Mac Cord, o material é um "choque de transparência".

O material é divulgado no momento em que o Ministério da Economia busca aumentar a pressão pela privatização de estatais. O ministro Paulo Guedes se diz frustrado por não ter conseguido realizar privatizações em dois anos de governo. A intenção agora é vender para a iniciativa privada pelo menos 4 empresas até o final de 2021. 

Ao mesmo tempo em que o governo não consegue se desfazer de empresas públicas, a área de privatizações sofre e já protagonizou duas ondas de demissões de diretores.



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