A cada mês de novembro, os rios do Pantanal se inflam com as chuvas e dão vazão às inundações que lentamente vão tomando conta da maior planície úmida do planeta. Ela sobrevive a cada dia de seus próprios movimentos, em sincronia com a natureza. E até agora tem vencido as adversidades, causadas pelo aquecimento e pela ação humana
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Nesta quinta-feira (12), data que é considerada o Dia do Pantanal, a ONG WWF-Brasil lançou uma exposição virtual internacional de fotos da região, atingida por incêndios nos últimos meses e que agora, reunindo as forças de suas riquezas naturais, inicia a busca por sua recuperação. Que necessita da conscientização do ser humano para ser facilitada e prosseguir em condições de resistir
O bioma passou por momentos dramáticos neste ano de 2020. Nesta exposição, denominada, “Pantanal: Vida, Morte e Renascimento”, as fotos retratam imagens nos três países que englobam a região: Brasil, Paraguai e Bolívia. E revelam as facetas da tragédia como o processo que mostra a capacidade de regeneração do Pantanal, mostrando o antes, o durante e o depois dos incêndios. Essas três primeiras fotos foram tiradas no Brasil, antes das chamas tomarem conta de grandes áreas
Localizado na bacia hidrográfica Alto Paraguai, o Pantanal possui uma fauna diversa, com mais de um terço das 1.800 espécies de aves no Brasil. Elas interagem com a flora de cerca de 3 mil categorias de plantas e 300 espécies de peixes, 95 de répteis e 150 de mamíferos. Todos se uniram na luta pela sobrevivência em meio às chamas
Muitos, infelizmente, não tiveram sucesso. As fortes lâminas de fogo queimaram boa parte da região, que nasceu justamente de sedimentos remanescentes do choque entre duas placas tectônicas, deixando a planície sustentada entre as cordilheiras
A questão social também se tornou uma preocupação decorrente da destruição. As queimadas tiraram o sustento de pequenos proprietários e trabalhadores da terra, que tiveram que começar tudo de novo, seguindo o exemplo da própria natureza
A WWF informa que, no acumulado dos dez meses deste ano, 4,2 milhões de hectares foram queimados no Pantanal, equivalentes a quase um terço do bioma – uma área que agora precisa de tempo para se recompor. E que já deu início à sua recuperação
O Pantanal, pela Constituição de 1988, é considerado Patrimônio Nacional brasileiro. É um habitat natural para centenas de espécies. Todas elas tentam resistir à tragédia, assim como indígenas e habitantes locais, na tentativa de preservar suas culturas e tradições ancestrais
Atônitos com a destruição, os animais buscaram refúgio na própria vegetação local. A formação do Pantanal possui três características distintas. Uma delas são os locais que não sofrem enchentes. Eles funcionam como abrigos para animais. Há as áreas que permanecem alagadas quase o ano todo e outras que enchem apenas em alguns períodos
Mesmo longe do oceano, a região é protegida pela grande quantidade de água. Muitos a chamam de um "mar interior". São cerca de 180 rios que compõem a bacia hidrográfica e a umidade acabou possibilitando a diminuição das chamas. É a própria região se defendendo de ocorrências que agridem esse ciclo natural
As vegetações queimadas acabaram prejudicando a qualidade de vida dos pássaros, mas, aos poucos, eles rastreiam locais que vão voltando a ser preenchidos por uma sinfonia de cantos
Assim como as flores que, timidamente, começam a ressurgir, devolvendo à planície uma diversidade inigualável de cores
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