Governadores chamam decisão de Bolsonaro de eleitoral e ideológica

Acordo de compra da vacina Coronavac foi suspenso pelo presidente
Acordo de compra da vacina Coronavac foi suspenso pelo presidente Wu Hong/EFE/EPA - 24.09.2020


Governadores de diferentes partidos e regiões do país criticaram a decisão do presidente Jair Bolsonaro de suspender o acordo de compra da vacina Coronavac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan. Eles defenderam o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, classificaram a decisão de "política, eleitoral e ideológica" e cogitaram até a acionar a Justiça para que os Estados tenham acesso a todas as vacinas.

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Na manhã desta quarta-feira, Bolsonaro desautorizou Pazuello e afirmou que "a vacina chinesa não será comprada". O ministro havia anunciado na terça, em reunião com governadores, que a pasta assinou protocolo de intenções com o Butantã para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac.

Nas redes sociais, ao menos nove governadores já haviam se pronunciado de forma crítica contra a decisão do presidente. O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou que Bolsonaro só pensa em "palanque e guerra" e quer fazer uma "guerra das vacinas". Ele defendeu a credibilidade do Instituto Butantan. "É um patrimônio do povo brasileiro, fundado há mais de 100 anos, e merece respeito. É um grande fornecedor de vacinas ao Ministério da Saúde. Qual a autoridade de Bolsonaro para tentar desmoralizar uma instituição e seus cientistas?", declarou, em sua conta no Twitter.

Dino disse que governadores irão "ao Congresso Nacional e ao Poder Judiciário para garantir o acesso da população a todas as vacinas que forem eficazes e seguras". "Saúde é um bem maior do que disputas ideológicas ou eleitorais", disse.

Na mesma linha, Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco, afirmou que "a influência de qualquer ideologia em temas fundamentais, como a saúde, só prejudica a população".

Em um vídeo publicado no Twitter, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), declarou que a escolha da vacina "deve ser eminentemente técnica, e não política". O político defendeu a atuação de "instituições brasileiras renomadas que tratam do assunto", como o Instituto Butantan. "O que deve ser observado é a condição de segurança, a viabilidade técnica e também a agilidade para disponibilizar a população", disse Leite.

Renato Casagrande (PSB), governador do Espírito Santo, foi mais um a se posicionar nesse sentido ao pontuar que "não há espaço para discussão sobre assuntos eleitorais ou ideológicos" nesse contexto.

Já o líder do Ceará, Camilo Santana (PT), disse que "não se pode jamais colocar posições ideológicas acima da preservação de vidas". "Que o governo federal guie suas decisões sobre a vacinada da covid por critérios unicamente técnicos", disse.

Fátima Bezerra, governadora do Rio Grande do Norte, defendeu que o acordo anunciado pelo ministro aos governadores seja mantido. "O que o povo brasileiro não pode e não deve aceitar é retrocesseo! Que prevaleça a união e a responsabilidade com a defesa e a saúde das pessoas. E que o que foi pactuado ontem (terça) seja assegurado, que é a vacina gratuita para todas e todos os brasileiros", afirmou.

Depois de Bolsonaro acusar o ministro da Saúde de traição mais cedo através de uma publicação nas redes sociais, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), defendeu que Pazuello "tomou medida sensata de garantir acesso à vacina de qualquer país para salvar vidas". Costa prestou "total solidariedade" ao ministro, afirmando que "o presidente não pode desmoralizá-lo e desautorizá-lo nesta luta".

A defesa de Rui Costa corrobora a fala de João Doria durante a coletiva que deu em Brasília hoje para comentar o assunto. "Há que aplaudi-lo (Pazuello), como foi ontem por governadores", afirmou Doria. Segundo o governador, ele só ouviu elogios por parte dos líderes dos Estados ao ministro da Saúde. Ainda na entrevista de hoje, o governador de São Paulo voltou a falar que, segundo Pazuello, a Coronavac seria adquirida pelo governo federal.

Contrariando Doria, o secretário executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, declarou no início da tarde de hoje que não houve qualquer compromisso entre a Pasta e o governo de São Paulo, ou com o governador João Doria, para aquisição da Coronavac.

Wellington Dias (PT), líder do Piauí, também saiu em defesa da decisão de Pazuello. "O compromisso assumido ontem, em reunião dos governadores com o ministro da Saúde, foi de comprar vacina produzida no Brasil, da Fiocruz e do Instituto Butantã, produção brasileira. A saída da crise econômica, que permite recuperar empregos e trabalhar soluções para a calamidade social, é a vacina. Compromisso do ministro Pazuello, que selou entendimento com todos os Estados e municípios", disse.



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