Só 1 em cada 3 escolas está pronta para retomar atividade, diz pesquisa

Apenas 17,7% das escolas públicas e 36,2% das particulares estão preparadas
Apenas 17,7% das escolas públicas e 36,2% das particulares estão preparadas Marcelo Justo/Folhapress - 29.06.2020

A maioria das escolas brasileiras não está preparada para o retorno às atividades no contexto do “novo normal”. É o que revela a “Pesquisa Sobre Volta Às Aulas Pós-Pandemia”, realizada com profissionais de educação de todo o país pelo Instituto Crescer, instituição que desenvolve e implementa projetos sociais na área de educação, como programas voltados à formação de professores.

Segundo o estudo, apenas 17,7% das escolas públicas e 36,2% das particulares estão preparadas para suportar o momento atual e o pós-pandemia. Os resultados evidenciam que as instituições já não vinham aplicando tecnologia de maneira incisiva em seus processos de aprendizagem, antes das medidas de distanciamento social, o que acabou se refletindo neste momento.

Quando questionados sobre como será o retorno às suas instituições, 55,5% dos profissionais revelam não ter ideia de como seguirão. O cenário mais desanimador está na rede pública de ensino, onde 53,9% não têm ideia do que vem pela frente. Na rede privada, 46,8% acreditam que terão a oferta de ensino semi-presencial e rodízio entre os alunos, enquanto na pública esse número é de apenas 27,7%.

De forma geral, as escolas vêm agora buscando alternativas para dar continuidade ao que vinham fazendo antes da quarentena, mas estão correndo contra o tempo. Em 80,5% das instituições públicas e 72,6% das privadas, os professores ainda procuram soluções para a oferta de ensino remoto.

“Poucas instituições vinham preparando seus professores e investindo em soluções de ponta no trabalho rotineiro. Quando veio a pandemia, muitas tiveram que dar o primeiro passo, ou seja, investir em tecnologias digitais e desenvolver novas habilidades em seus profissionais. Saíram na frente aquelas que já possuíam uma estrutura mais organizada e tecnologias presentes na rotina escolar”, comenta a diretora do Instituto Crescer e organizadora da pesquisa, Luciana Allan.

Realizada por meio de um formulário online, a pesquisa contou com a participação de 1.367 profissionais de educação de diferentes regiões do Brasil, envolvendo mantenedores, diretores, coordenadores, professores e representantes de instituições de ensino públicas e privadas de Educação Básica ou Ensino Superior.

As respostas foram coletadas entre os dias 22 de maio e 17 de junho de 2020. O objetivo era entender quais estratégias foram adotadas a fim de minimizar os impactos da pandemia no ano letivo e como instituições e seus profissionais vêm se preparando para retornar às aulas.

Confira outros pontos da pesquisa:

- Para 89,5% dos profissionais, o momento atual vem contribuindo para que os professores adquiram competências digitais.

- A respeito das práticas organizadas durante a oferta de educação remota, 60,8% as consideram como um fator propulsor para um repensar pedagógico.

- A maioria (60,1%) acredita que essa experiência acelerou o processo de inovação educacional.
 
- Considerando o cenário pós-pandemia, 56,8% acham que os professores passarão a ver mais valor nas tecnologias digitais.

- Entretanto, 47,2% acreditam que se não for criada uma estratégia de diálogo permanente sobre o tema, os recursos tecnológicos serão facilmente deixados de lado.

- Hoje, apenas 5,4% dos professores de escolas públicas e 17,3% dos profissionais de instituições particulares se dizem preparados para trabalhar de forma online.

- O Ensino Superior (36%) e o Ensino Técnico (34%) apresentam melhores condições para suportar o momento atual e o pós-pandemia, pois já tinham recursos capazes de viabilizar o trabalho à distância antes das medidas de distanciamento social.

- Apenas 19% das escolas estão preparadas para trabalhar de forma online.
Em relação ao nível de infraestrutura tecnológica, 69% das escolas públicas e 60% das escolas privadas afirmam que vêm realizando investimentos.

- No que diz respeito ao currículo, 51,6% das instituições de ensino farão ou já estão fazendo uma revisão com foco em aspectos essenciais; 32,5% decidiram focar menos no currículo e mais no desenvolvimento de competências e habilidades.

- Para avaliar os alunos, 63,9% dos professores estão experimentando novos métodos.



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