Meio Ambiente não deve participar de comitê de licenciamento mineral

Ministério do Meio Ambiente não aparece em resolução publicação da Economia
Ministério do Meio Ambiente não aparece em resolução publicação da Economia Getty Images

O Ministério da Economia publicou nesta terça-feira (4) uma resolução em que pede a criação de uma "Política de Apoio ao Licenciamento Ambiental" de projetos de mineração e de um comitê para tratar do assunto, mas ignorou completamente a participação do Ministério do Meio Ambiente, pasta que comanda o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), órgão federal responsável pelo licenciamento federal.

É sabido que a principal fronteira de exploração mineral visada hoje no País é, de longe, a região amazônica, seja em commodities ou minerais raros. Segundo a resolução, seria criado um CTAPME (Comitê Interministerial de Análise de Projetos de Minerais Estratégicos), que seria coordenado pelo Ministério de Minas e Energia.

O grupo teria a participação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos do Ministério da Economia. Nenhuma pasta, secretaria ou órgão ligado ao meio ambiente compõe o comitê.

Pela resolução assinada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e a secretária especial do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) do Ministério da Economia, Martha Seillier, o objetivo é acelerar o licenciamento ambiental para projeto de "minerais estratégicos". O programa, inclusive, tem um nome, o "Pró-Minerais Estratégicos", incluído no Programa de Parcerias de Investimentos - PPI.

Pelas regras atuais, projetos de licenciamento que são incluídos no PPI têm prioridade dentro do Ibama, ou seja, passam na frente de outros empreendimentos e têm seus processos acelerados para conclusão de análise ambiental.

A resolução, apesar de trazer a data de 10 de junho, quase dois meses atrás, só foi publicada nesta terça. O texto inclui uma ficha com um "modelo de formulário de licenciamento ambiental".

A proposta do Ministério da Economia é criar uma "Política de Apoio ao Licenciamento Ambiental de Projetos de Investimentos para a Produção de Minerais Estratégicos" em caráter permanente. Seu objetivo seria "articular ações entre órgãos públicos no sentido de priorizar os esforços governamentais para a implantação de projetos de produção de minerais estratégicos para o desenvolvimento do País".

Ao descrever o que seria um mineral considerado estratégico, a resolução estabelece três condições: mineral do qual o Brasil depende de importação para o suprimento de setores vitais da economia; mineral que tem importância pela aplicação em produtos e processos de alta tecnologia; ou mineral que detém vantagens comparativas e que são essenciais para o superávit da balança comercial do País.

Na prática, dentro dessas definições, cabe desde commodities como ferro até o nióbio, historicamente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro como o minério que vai reposicionar a competitividade do Brasil em todo o mundo.

O comitê do grupo tem a prerrogativa de definir, "para fins de apoio ao licenciamento ambiental", os projetos minerários considerados relevantes para a ampliação da produção nacional de minerais estratégicos e que passarão a integrar a política.

O governo apoia o novo marco do licenciamento ambiental que tramita na Câmara, relatado pelo deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), o qual pretende acelerar o processo de licenciamento, estabelecendo prazos limites para emissão das autorizações, sob a pena de o licenciamento ser automaticamente autorizado caso prazo não seja cumprido pelo órgão federal.

Desde o governo do ex-presidente Michel Temer, tenta-se aprovar um licenciamento "fast track" para projetos que sejam incluídos no PPI, mas essa proposta não avançou até o momento em relação a mudanças de regras do rito ambiental.

Procurado para comentar o assunto, o Ministério da Economia não se pronunciou até o fechamento deste texto.



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