Isolamento em favelas é maior que média das capitais, diz pesquisa

Moradores de Paraisópolis
Moradores de Paraisópolis Marcelo Chello/ Cjpress/ Estadão Conteúdo - 24.03.2020

O índice de isolamento social no pico da pandemia, nas dez maiores comunidades do Brasil, é acima da média de muitas capitais. Foi o que revelou uma pesquisa feita com 400 moradores de várias regiões do país.

Segundo a pesquisa, moradores dessas aéreas mantiveram um índice de 68% de isolamento social, um número maior do que o de algumas capitais brasileiras.  No Rio de Janeiro, a taxa ficou em 55% no mesmo período do estudo. A comunidade que mais cumpriu o isolamento foi Paraisópolis, em São Paulo, onde vivem mais de 42 mil pessoas.

Na família da analista de mídias digitais Rosemary Silva ninguém escapou da covid-19. "Eu, meu marido, minha mãe, minha avó, meus dois sobrinhos e a mulher do meu sobrinho pegamos", disse. Todos se recuperaram e continuam se cuidando. “Depois que passou pela minha família, a gente começou a ver que aquilo era real e que era perigoso, podia levar até a morte.”

Em Paraisópolis, Igor Amorim diz que a luta pelo isolamento é de todos. “Nós estamos nessa luta e nós falamos pra você assim como nós estamos em casa, sem sair pra lugares e só trabalhando pra combater, também fique em casa.”

O estudo mostrou que os moradores dessas regiões estão mais conscientes do que as pessoas que moram em áreas nobres, por exemplo. No Rio de Janeiro, no dia da reabertura dos bares e restaurantes, os cariocas lotaram os estabelecimentos. A maioria das pessoas sem máscaras.

Emília Rabello, coordenadora da pesquisa, destaca o papel da comunidade. “Eu acho que a periferia está dando uma lição de como se trabalhar e de como lidar com uma pandemia. Muito mais do que as pessoas que moram no asfalto.”

A pesquisa também mostrou que mesmo quem perdeu o emprego durante a pandemia, está confiante que vai recuperar assim que a doença for controlada. Segundo a pesquisa, 62% dos entrevistados sem vínculo empregatício estão otimistas e acreditam que vão conseguir um emprego formal.

O cozinheiro Jorge Anísio da Silva é morador da Rocinha. Ele teve o salário reduzido pela metade durante os meses em que o restaurante onde trabalha ficou fechado.

“Ficou um pouco difícil, né? Meu salário ficou mais pouco, mas agora melhora mais”, disse. Outro cozinheiro, Antonio Jacinto, foi demitido durante a pandemia e acabou de ser recontratado. “Eu creio que vai melhorar, vai melhorar e todo mundo vai recuperar os seus empregos.”



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