EUA passam de 130 mil mortes por covid-19 após recordes de casos

Equipe médica atende paciente com covid-19 em hospital de Houston, Texas
Equipe médica atende paciente com covid-19 em hospital de Houston, Texas Callaghan O'Hare / Reuters - 29.6.2020

O número de mortes por covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, nos Estados Unidos superou a marca de 130.000 nesta segunda-feira (6), após uma onda de novos casos que colocou a resposta do presidente Donald Trump à pandemia sob escrutínio e afetou os esforços para retomada das atividades econômicas.

A taxa geral de aumento das mortes nos Estados Unidos tem caído, apesar dos números de casos terem atingido níveis recordes nos últimos dias, mas especialistas em saúde alertam que as mortes são um indicador com atraso, ocorrendo semanas ou até meses após o aumento dos casos.

Nacionalmente, o total de casos nos EUA está chegando a 3 milhões, o número mais alto do mundo e o dobro das infecções relatadas no segundo país mais afetado, o Brasil. O número de casos está aumentando em 39 dos 50 Estados norte-americanos, de acordo com uma análise da Reuters.

Em 16 Estados houve recorde diário de novos casos neste mês. A Flórida confirmou um recorde de 11.000 infecções em um único dia, mais do que qualquer país europeu relatou em um único dia mesmo no auge da crise naquele continente.

Trump faz afirmação sem evidência científicas

Enquanto especialistas em saúde alertaram a população a não se aglomerar para comemorar o Dia da Independência no fim de semana, o presidente Trump afirmou, sem fornecer evidências, que 99% dos casos de coronavírus nos EUA são "totalmente inofensivos".

Ao menos cinco Estados já mostram números contrários à tendência nacional de queda na taxa de mortalidade, segundo uma análise da Reuters. O Arizona teve 449 mortes nas últimas duas semanas de junho, contra 259 nas duas primeiras semanas do mês. O Estado registrou um aumento de 300% nos casos ao longo do mês, o maior crescimento no país.

Steve Adler, prefeito democrata de Austin, no Texas, criticou nesta segunda-feira a declaração do republicano Trump no fim de semana de que o vírus é praticamente inofensivo.

"É incrivelmente perturbador, e as mensagens vindas do presidente dos Estados Unidos são perigosas", disse Adler à CNN. "Um dos maiores desafios que temos é o envio de mensagens de Washington que sugerem que as máscaras não funcionam ou que não são necessárias, ou que o vírus está desaparecendo por conta própria."

No Texas, hospitais estão lotados

Com hospitais lotados e um número crescente de casos, vários prefeitos do Texas e outros líderes locais estão considerando reimpor quarentenas. As cidades estão se reunindo e pressionando o governador do Estado a devolver-lhes a autoridade para que imponham medidas locais de combate ao coronavírus, disse Adler.

O chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, defendeu nesta segunda-feira o comentário de Trump no fim de semana, dizendo que o presidente não estava tentando minimizar as mortes.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA prevê entre 140.000 a 160.000 mortes por coronavírus no país até 25 de julho, em projeções baseadas em 24 previsões independentes.



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