A ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta quarta-feira (22) que o inciso 1 do artigo 5º da Constituição comprova que vivemos em uma sociedade "preconceituosa, machista e desigual" no Brasil.
O texto em questão citado pela ministra aponta que "homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações". Segundo Cármen Lúcia, o trecho chegou a ser "objeto deboche".
"Se todos são iguais, por que é preciso chamar atenção a isso? Porque é necessário cobrir aquela deficiência social de igualdade. Nós temos uma sociedade que desiguala", afirmou durante live promovida pelo IEJA (Instituto de Estudos Jurídicos Aplicados).
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Cármen Lúcia afirma que a Constituição tem um ótimo texto em termos de direitos fundamentais, mas ainda assim exige um "processo transformador" da sociedade. "Vejo muitos meninos novos mais machistas do que os homens da minha geração", lamentou.
"É melancólico a gente chegar em 2020 tendo que achar forças dentro da gente para continuar a lutar para que algum dia as nossas meninas de hoje não tenham que continuar nesses espaços para discutir um tema que deveria, pelo marco civilizatório da humanidade, ter sido inteiramente ultrapassado", observou a ministra.
Para Cármen Lúcia, a liberdade assegurada pela Constituição só será garantida com o aumento da educação. "Nós temos que educar no sentido de dar maior humanidade e mais responsabilidade”, disse ela.
Também participaram do debate virtual sobre o enfrentamento da violência contra a mulher a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, a presidente do Magazine Luiza, Luiza Trajano, a presidente da Anup (Associação Nacional de Universidades Particulares), Elizabeth Guedes, e a especialista em educação étnico-racial Adriana Vasconcelos.
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