Juiz que mandou prender Queiroz teria filha e genro na gestão Witzel

Juiz Flávio Itabaiana, na prática, foi afastado do caso
Juiz Flávio Itabaiana, na prática, foi afastado do caso Divulgação/TJ-RJ

O juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, que mandou prender o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz e se tornou o algoz do senador Flávio Bolsonaro, teria um genro, além da própria filha, como funcionários da gestão de Wilson Witzel, governador do Estado do Rio de Janeiro.

A filha de Flávio é Natália Menescal Braga Itabaiana Nicolau, cujo nome consta do quadro de funcionários do Estado do Rio de Janeiro de acordo com o Portal da Transparência Fiscal. Natália tem cargo comissionado com salário mensal bruto de R$ 7.000. Em junho, Natália ganhou R$ 5.427,36 líquidos.

Já Rodrigo Pinheiro de Castro Cerqueira, supostamente genro do juiz Flávio, também é funcionário comissionado da administração de Wilson Witzel, com remuneração mensal de R$ 10 mil. O valor também consta do Portal da Transparência Fiscal.

O suposto genro de Itabaiana teria sido nomeado em 1º de janeiro de 2019. Em junho, o salário líquido de Rodrigo Cerqueira atingiu R$ 7,602.36.

Na semana passada, o juiz Flávio Itabaiana emitiu uma nota oficial em que afirmou que a filha "foi nomeada em 01/04/2019, sendo certo que trabalha diariamente, cabendo, contudo, ao governo do estado informar se ela é ou não funcionária fantasma".

O magistrado ressaltou ainda "que não foi a pedido dele que ela foi nomeada para trabalhar lá, pois não tem qualquer contato com o governador nem com qualquer outra pessoa do Palácio Guanabara".

Ainda prosseguiu: "A 1ª medida cautelar só foi distribuída ao Juízo da 27ª Vara Criminal depois, mais precisamente em 15/04/2019, quando, inclusive, o Senador Flávio Bolsonaro e o Governador Wilson Witzel ainda se relacionavam bem. O fato de ela trabalhar lá não o torna impedido nem suspeito de processar e julgar o feito. Basta a leitura dos arts 252, 253 e 254 do Código de Processo Penal para se constatar isso."

Ontem, o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) decidiu remeter ao Órgão Especial do Tribunal o processo que apura o caso das "rachadinhas" no gabinete do então deputado estadual e atual senador Flávio Bolsonaro. Na prática, afastou Itabaiana do caso.



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