Saída de Moro do governo repercute na imprensa internacional

The Guardian destacou Lava Jato
The Guardian destacou Lava Jato Reprodução

O anúncio de demissão do ex-ministro Sergio Moro, que acusou o presidente Jair Bolsonaro de interferir na Polícia Federal para ter acesso a informações sigilosas, teve repercussão na imprensa internacional nesta sexta-feira (24).

O The Guardian, um dos principais jornais do Reino Unido, afirmou que a saída do ministro cria um conflito político importante no momento em que o Brasil luta para conter a pandemia de coronavírus. Lembra que Moro é um herói para grande parte da direita brasileira e uma figura criticada pela esquerda.

A reportagem cita ainda que, minutos depois do anúncio de Moro, já havia sinais de que Bolsonaro estava perdendo apoio com panelaços nas principais cidades brasileiras, incluindo em áreas fortemente pró-Bolsonaro no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O americano The Washington Post também deu espaço para a saída de Moro, dizendo que o ex-ministro tem uma grande fama de lutar contra a corrupção. O argentino Clarín também citou a onda de panelaços minutos após a saída do ex-ministro, que se tornou famoso internacionalmente por liderar a investigação que prendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril de 2018. A reportagem informa que a decisão fez o dólar subir a Bolsa cair.

O francês Le Figaro noticiou que Moro saiu após ingerências políticas de Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Afirma que o ministro teve promessa de trabalhar "com carta branca", que não foi cumprida por Bolsonaro. "A mudança de chefe da Polícia Federal sem causa real é uma interferência política, que mina minha credibilidade e a do governo", afirmou Moro, em trecho citado pela reportagem.

O americano The New York Time disse que Sergio Moro "se tornou o rosto de uma poderosa repressão anticorrupção no Brasil" e que sua renúncia provoca um alvoroço político no Brasil, no momento em que o país enfrenta pandemia de coronavírus. Também afirma que Moro acusou o presidente de tentar corroer a autonomia da polícia federal e colocá-la a serviço de seus ambições políticas. 

O jornal portuguê Público destacou que Moro acusou Bolsonaro de interferência política na Polícia Federal. "O ministro da Justiça opôs-se à exoneração do director da Polícia Federal pelo presidente e foi apanhado de surpresa ao saber que Bolsonaro tinha mesmo avançado", diz o jornal. O argentino Clarín destacou os efeitos no mercado após pedido de demissão de Sergio Moro.  



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