Os detalhes do pacote trilionário dos EUA contra o coronavírus

Boston é mais uma das grandes cidades dos EUA paralisadas pela pandemia
Boston é mais uma das grandes cidades dos EUA paralisadas pela pandemia CJ Gunther / EPA - EFE - 26.3.2020

O impacto econômico do coronavírus é uma realidade nos EUA, onde milhões de pessoas perderam seus empregos (3,28 milhões apenas na semana passada). Por causa disso, o Senado aprovou nesta quarta-feira (25), um plano de estímulo que dará US$ 1,200 (cerca de R$ 6 mil) a muitos norte-americanos e, para outros, ampliar as prestações do seguro-desemprego.

O plano de estímulo econômico, cujo intuito é reduzir os efeitos do coronavírus, é o maior da história do país, com um custo total de US$ 2,2 trilhões (cerca de R$ 11 trilhões). O pacote ainda precisa ser aprovado pela Câmara de Representantes e sancionado pelo presidente Donald Trump, que prometeu assiná-lo assim que chegar à sua mesa.

Quem receberá os pagamentos de US$ 1,2 mil?

A proposta inclui uma verba de cerca de US$ 250 bilhões (R$ 1,25 trilhão), que será reservada para pagamento direto de US$ 1,2 mil (R$ 6 mil) a pessoas com uma renda anual de até US$ 75 mil (R$ 375 mil), mais US$ 500 (R$ 2,5 mil) por filho de até 16 anos que esteja sob sua responsabilidade.

Ainda assim, as pessoas que ganham mais também receberão uma destas ajudas: casais sem filhos com rena anual de até US$ 150 mil (R$ 750 mi) receberão US$ 2,4 mil (R$ 12 mil) e famílias com renda anual de até US$ 112,5 mil (R$ 562 mil) receberão o máximo de US$ 1,2 mil.

O governo anunciou que o dinheiro será transferido automaticamente em até três semanas depois da aprovação do projeto.

Como ficam os demitidos?

O pacote de ajuda econômica estabelece outros US$ 250 bilhões (R$ 1,25 trilhão) em fundos federais para ampliar os benefícios de seguro-desemprego, para complementar as prestações mensais de US$ 600 (R$ 3 mil) que já são pagos por cada estado.

Essa ajuda extra poderá beneficiar os funcionários terceirizados, os trabalhadores autônimos e os trabalhadores de meio período.

O auxílio também vai contemplar as pessoas com sintomas ou diagnosticadas com a covid-19, as pessoas que tenham de deixar de trabalhar para cuidar de parentes com a doença e os trabalhadores que não puderam mais desempenhar suas funções por quarentena obrigatória.

O dinheiro total vai variar de acordo com o valor pago por cada estado, já que as parcelas estaduais não têm sempre o mesmo valor, mas os 600 dólares pagos pelo governo federal serão fixos.

Pausa nos empréstimos estudantis

Segundo o Departamento de Educação, em 2017 o custo médio de um ano acadêmico em uma universidade do país era de cerca de US$ 41 mil (cerca de R$ 210 mil), o que faz com que muitos norte-americanos se endividem para poder pagar por seus estudos.

A perda de empregos e a redução na renda fez com que muitos cidadãos perdessem as datas de pagamento. Por conta disso, o plano também criou uma moratória até 30 de setembro deste ano para que os estudantes voltem a pagar por seus empréstimos. Isso vale para linhas de crédito do governo federal.

No entanto, a medida não contempla os empréstimos feitos junto a instituições do Departamento de Educação, no âmbito estadual ou feitos junto a instituições privadas ou bancos.

Ajudas para o sistema de saúde, governos e empresas

O pacote de estímulo aprovado pelo Senado também separou um total de US$ 350 bilhões (cerca de R$ 1,75 trilhão) em empréstimos para pequenas empresas.

Também inclui um fundo de US$ 500 bilhões (R$ 2,25 trilhões) para empresas em dificuldades financeiras, como os setores aéreo, hoteleiro e de cruzeiros.

Além disso, o plano inclui US$ 150 bilhões (R$ 750 bi) em apoio às autoridades locais e estaduais e outros US$ 130 bilhões (R$ 650 bi) ára reforçar o sistema de saúde do país, que em alguns locais, como no estado de Nova York, está começando a ficar saturado.

Nos EUA, o número de mortos por causa do coronavírus passou, nesta quinta, dos 1000 casos, com Nova York com a zona mais afetada, enquanto os casos confirmados da doença já são cerca de 70 mil. Isso coloca o país em terceiro lugar no total mundial em número de contágios, atrás apenas da China e da Itália, segundo registros privados (não-governamentais).



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