Presidente da OAB-DF: “Estávamos certos sobre o perigo do PCC”

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF), Délio Lins Silva e Jr., afirmou que os advogados envolvidos com célula do Primeiro Comando da Capital (PCC) podem ser alvo de procedimento ético. O órgão ainda não teve acesso a documentação necessária para analisar o caso.

Os profissionais foram presos durante a Operação Guardiã 61, deflagrada na manhã desta terça-feira (07/01/2020) pela Divisão de Repressão a Facções Criminosas (Difac) e visou desarticular grupo do PCC no Distrito Federal.

“Vamos aguardar o desenrolar da investigação. Ainda não tivemos acesso aos documentos que nos permitam analisar a situação desses advogados”, apontou Délio Lins, destacando que a Ordem havia alertado sobre o perigo da transferência do líder máximo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, para o Presídio Federal de Brasília.

“Caso se comprove que eles tiveram participação no crime será instaurado um procedimento ético, no qual os envolvidos podem receber de uma advertência até uma expulsão do magistrado. Durante o processo de julgamento pode haver um afastamento temporário do envolvido”, afirmou o presidente da OAB-DF.

Para ele, o órgão previne esse tipo de conduta por parte dos advogados quando instaura procedimentos de apuração e pune possíveis infratores.

O caso 

Uma das advogadas trabalhava para integrantes da facção no DF, que cumprem pena na Papuda. Com a chegada da cúpula, em março do ano passado, ela foi “promovida” e passou a atender integrantes do alto de escalão na penitenciária federal.

Segundo os investigadores, a célula da organização criminosa era composta por ao menos 30 integrantes e atuava praticando crimes como roubos e tráfico de drogas. O grupo, composto por advogados, presidiários e criminosos egressos do sistema prisional, se dividia em núcleos específicos de atuação.

Parte se dedicava às práticas criminosas e a outra tentava estabelecer condições para o desenvolvimento e a consolidação do grupo na capital federal, uma vez que a alta cúpula da facção está presa no Presídio Federal de Brasília.

Alerta para os riscos 

Segundo Délio Lins, a transferência de Marcola foi constantemente alertada pela OAB como algo que poderia facilitar a proliferação do crime organizado em geral para o DF. Para ele, a vinda do criminoso geraria esse tipo de situação, mais cedo ou mais tarde.

“Desde o começo, nós alertamos para o absurdo que era transferi-lo (Marcola) para nossa cidade. O tempo passou e estávamos certos sobre o perigo do PCC se instaurar aqui no DF”, ressaltou.

O presidente afirmou que a OAB-DF, à época da transferência do criminoso, fez de tudo para que a vinda não se concretizasse.

“Apresentamos várias alternativas para que não acontecesse essa transferência. Falamos com o Ministro da Justiça, com o governo, polícias e muitos outros. Entretanto, não conseguimos ter êxito”, contou Délio.

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