Megaoperação foi deflagrada na manhã desta terça-feira (07/01/2020) para coibir a consolidação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Distrito Federal. A ação, batizada de Operação Guardiã 61, é coordenada pela Divisão de Repressão a Facções Criminosas (Difac). São cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão, além de medidas como a colocação de tornozeleira eletrônica, em desfavor de integrantes do grupo criminoso.
Segundo os investigadores, célula da organização criminosa era composta por ao menos 30 integrantes e atuava praticando crimes como roubos e tráfico de drogas. O grupo se dividia em núcleos específicos de atuação. Parte se dedicava às práticas criminosas e a outra tentava estabelecer condições para o desenvolvimento e consolidação do grupo na capital federal, uma vez que a alta cúpula da facção está presa no Presídio Federal de Brasília.
Ao longo de um ano de investigação, foram identificados integrantes distribuídos estrategicamente em setores de atuação, com o auxílio de advogados, presidiários e criminosos egressos do sistema prisional, os quais praticam o tráfico de drogas e armas, roubos e ameaças a autoridades.
De acordo com a Difac, divisão da Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organziado (Cecor), a estrutura da organização formava uma intricada rede de atividades criminosas, com a participação de indivíduos radicados em presídios de outras três unidades da Federação.
A ação tem apoio do Núcleo de Controle e Fiscalização do Sistema Prisional (Nupri) do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), da Subsecretaria do Sistema Penitenciário do DF (Sesipe) e conta com a participação de 120 policiais. Os investigados estão sujeitos a penas de três a oito anos por promover, constituir e integrar organização criminosa.
Plano de fuga
Em 20 de dezembro de 2019, o Metrópoles revelou com exclusividade que os integrantes da organização se planejam para colocar em prática o plano de resgate do líder máximo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Condenado há mais de 300 anos de prisão, Marcola cumpre pena no Presídio Federal de Brasília. A unidade chegou a receber reforço de tropas do Exército.
As informações sobre o plano de resgate partiram de São Paulo. O estado é berço da facção criminosa. Marcola foi transferido para a capital federal em março de 2019 sob forte aparato policial.
Há indícios de que o suposto resgate estaria pago e seria feito pelo traficante internacional Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como Fuminho. Ele é um dos principais nomes do PCC que está solto e atua nas ruas.
Polícia Civil faz megaoperação contra o PCC no Distrito Federal

Polícia Civil faz megaoperação contra o PCC no Distrito Federal
11 FOTOS
papuda marcola exercitoCarros blindados cercam o presídio Thiago S. Araújo/ Esp. Metrópoles
papuda marcola exercitoMilitares do Exército Brasileiro foram direcionados para a penitenciária de segurança máxima, onde estão de prontidão, com carros blindados, desde as primeiras horas dessa quinta-feira Andre Borges/Esp. Metrópoles
papuda marcola exercitoO PCC teria reunido um verdadeiro exército de alto nível e com criminosos que possuem conhecimento militar e de armamentos Andre Borges/Esp. Metrópoles
papuda marcola exercitoNa unidade prisional, que fica no Complexo Penitenciário da Papuda, há circuito de câmeras com transmissões em tempo real, além de sensores de movimento e alarmes Andre Borges/Esp. Metrópoles
Plano-de-fuga-MArcolaFontes do Ministério da Justiça ouvidas pelo Metrópoles afirmam que se trata de uma medida preventiva para mostrar a força do Estado, e que não há motivo para alarde Thiago S. Araújo/ Esp. Metrópoles
papuda marcola exercitoHá indícios de que o suposto resgate já estaria pago e seria feito pelo traficante internacional Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como Fuminho Andre Borges/Esp. Metrópoles
papuda marcola exercitoOs criminosos estariam aguardando o aval de Fuminho para colocar o plano em prática Andre Borges/Esp. Metrópoles
WhatsApp Image 2019-02-13 at 14.05.15Marcola e outros presos foram trazidos em avião da FAB para Brasília em março deste ano Hugo Barreto/Metrópoles
WhatsApp Image 2019-02-13 at 14.05.14 (1)Comboio rumo ao Presídio Federal de Brasília Hugo Barreto/Metrópoles
WhatsApp Image 2019-02-13 at 13.51.03Avião da FAB aterriza em Brasília Hugo Barreto/Metrópoles
WhatsApp Image 2019-02-13 at 14.05.14Comboio seguindo para o presídio Hugo Barreto/Metrópoles
De acordo com informações, os criminosos estariam aguardando o aval de Fuminho para colocar o plano em prática. O PCC teria reunido um verdadeiro exército de alto nível e com criminosos que possuem conhecimento militar e de armamentos. A facção já teria mapeado os arredores do complexo penitenciário em Brasília com o uso de drones.
Líder
Marcola foi preso pela primeira vez pela polícia paulista no final da década de 1990, por roubos a carros-fortes e bancos. Na prisão, também foi condenado por formação de quadrilha, tráfico de drogas e homicídio.
Recentemente, a Justiça o condenou a 30 anos de prisão no processo da Operação Ethos, que investigou o setor jurídico da organização criminosa. Com essa decisão, o total das penas impostas a Marcola ultrapassa 300 anos.
Para justificar a transferência de Marcola do presídio de Presidente Venceslau para Brasília, promotores do Ministério Público de São Paulo afirmaram que o PCC planejava resgatá-lo. De acordo com eles, foram gastos dezenas de milhões de dólares no plano, investindo em logística, compra de veículos blindados, aeronaves, material bélico, armamento de guerra e treinamento de pessoal.
Desconforto
A chegada dele ao Presídio Federal de Brasília, em março do ano passado, causou mal-estar entre o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o governador, Ibaneis Rocha (MDB), contrário à permanência de lideranças de facções no Distrito Federal.
À época, o emedebista mostrou-se preocupado com a segurança da capital da República, visto que familiares e integrantes dos grupos criminosos se instalariam na cidade para ficar mais perto de seus comandos.
O líder da organização criminosa paulista foi trazido de Rondônia com outros três presos para o presídio do DF no mesmo dia que a Polícia Civil deflagrou uma operação e prendeu oito pessoas acusadas de fazerem parte do PCC na capital.
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