Araújo: Brasil não reconhece eleição no Parlamento da Venezuela

Ministro Ernesto Araújo afirmou que votação foi 'afronta à democracia'
Ministro Ernesto Araújo afirmou que votação foi 'afronta à democracia' Renato Costa /Framephoto/Estadão Conteúdo

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou hoje, em postagem no Twitter, que o governo brasileiro não reconhece o resultado da eleição para presidência da Assembleia Nacional da Venezuela, que deu vitória a Luis Parra. O líder da oposição, Juan Guaidó, que tentava a reeleição, foi impedido de entrar na Casa e não conseguiu votar.

Segundo Araújo, o Brasil não reconhecerá "o resultado dessa violência e afronta à democracia". O ministro também publicou um pequeno vídeo com imagens do tumulto em frente ao Congresso venezuelano por causa do bloqueio policial que reteve, além de Guaidó, a maioria dos deputados da oposição. O líder oposicionista classificou a ação policial como um "golpe parlamentar".

Além do Brasil, os governos de Estados Unidos e Colômbia questionaram a votação que elegeu Luis Parra após a sessão ocorrer sem a presença de Juan Guaidó e grande parte dos deputados de oposição ao governo de Nicolás Maduro.

O governo dos Estados Unidos chamou a eleição de Parra de "farsa" e que seguirá apoiando Guaidó como presidente interino da Venezuela, posição também adotada por Brasil e Colômbia. "Guaidó segue sendo o presidente interino da Venezuela sob a Constituição. A sessão falsa da Assembleia Nacional nesta manhã careceu de quórum legal. Não houve votação", disse o responsável pela América Latina no Departamento de Estado dos EUA, Michael Kozak.

O governo da Colômbia também publicou comunicado no qual informa que não reconhecerá o resultado da eleição para a presidência da Assembleia Nacional da Venezuela.

"O resultado de um processo eleitoral realizado de maneira fraudulenta, sem transparência e garantias, não será reconhecido pelo Estado colombiano", afirmou o Ministério das Relações Exteriores do país.

Eleito presidente por chavistas e parte de uma dissidência da oposição chamada de corrupta por Guaidó e aliados, Parra é ex-integrante do partido Primeiro Justicia, que também condenou a eleição.

Enquanto as forças de segurança comandadas por Maduro impediam a entrada de Guaidó e outros deputados leais a ele, até então presidente da Assembleia Nacional, os parlamentares governistas e os opositores da ala de Parra tiveram livre acesso ao Palácio Legislativo.

Guaidó chegou a tentar pular a cerca que protege o prédio, mas foi impedido por agentes da Polícia Nacional Bolivariana e da Guarda Nacional Bolivariana.



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