Veja as diferenças entre o texto da reforma da Câmara e do Senado

Os senadores Simone Tebet, Davi Alcolumbre e Tasso Jereissati
Os senadores Simone Tebet, Davi Alcolumbre e Tasso Jereissati RENATO COSTA /FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

As mudanças previstas no relatório da reforma da Previdência no Senado devem resultar numa desidratação inicial de R$ 98 bilhões na economia esperada em uma década com o texto aprovado pela Câmara dos Deputados. O relator, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), propôs medidas de elevação de receita para recompor essas perdas, na expectativa de incrementar a arrecadação em R$ 155 bilhões em dez anos.

Leia também: Preocupado com a Reforma da Previdência? Entenda o que muda

Confira as diferenças entre o texto aprovado na Câmara e o relatório apresentado por Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Impacto fiscal da reforma

Proposta original do governo: R$ 1,236 trilhão em dez anos
Texto da Câmara: R$ 933,5 bilhões em dez anos
Relatório de Tasso Jereissati: R$ 990 bilhões em dez anos (sem Estados e municípios)
 

Medidas que desidratam

1) Benefício de Prestação Continuada (BPC)

Como a Câmara aprovou: O texto permite que pessoas com deficiência e idosos em situação de pobreza continuem a receber um salário mínimo a partir dos 65 anos, mas coloca na Constituição como critério a renda familiar per capita de até um quarto do salário mínimo (equivalente hoje a R$ 249,50). 

Como ficou no relatório: Retira esse item, o que abre brechas para que pessoas com renda familiar per capita maior consigam o benefício via decisão judicial.
Forma de alteração: Supressão do texto, não volta para a Câmara. 
Impacto fiscal: R$ 25 bilhões em dez anos. 

2) Aposentadoria especial para expostas a agentes nocivos

Como a Câmara aprovou: Permite aposentadoria quando a soma da idade e do tempo de contribuição mais o tempo de efetiva exposição a agentes nocivos for de 66 pontos e 15 anos de efetiva exposição; de 76 pontos e 20 anos de efetiva exposição; e 86 pontos e 25 anos de efetiva exposição. A partir de 2020, acrescenta um ponto a cada ano.

Como ficou no relatório:  Retira o item que eleva a regra de pontos em cada ano.
Forma de alteração: Supressão do texto, não volta para a Câmara. 
Impacto fiscal: R$ 6 bilhões em dez anos.   

3) Inclusão de Estados e municípios

Como a Câmara aprovou: As mudanças de regras na aposentadoria valem apenas para servidores da União e trabalhadores do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), vinculados à iniciativa privada.

Como ficou no relatório:  Permite que os Estados, o Distrito Federal e os municípios adotem integralmente as regras mediante aprovação de lei ordinária.

Caso essa aprovação ocorra em nível estadual, a adoção integral também se aplicará aos municípios do Estado. Neste caso, o prefeito pode aprovar uma lei em até um ano para desfazer as mudanças. 
Forma de alteração: PEC paralela.
Impacto fiscal: R$ 350 bilhões em dez anos.    

4) Pensão por morte

Como a Câmara aprovou: Tanto para trabalhadores do setor privado quanto para o serviço público, o benefício será de 60% do salário de contribuição para o primeiro dependente e mais 10% por dependente adicional, até o limite de 100%. Além disso, o texto permite que o benefício fique abaixo do salário mínimo.

Como ficou no relatório: A cota inicial de 60% permanece, mas caso o dependente adicional seja menor de 18 anos, o acréscimo será de 20% em vez de 10% sobre o salário de contribuição. Dessa forma, a pensão será de 100% no caso, por exemplo, de uma mãe com dois filhos menores de idade.

O texto continua permitindo que a pensão tenha valor abaixo do salário mínimo, mas apenas no caso de pensionistas que tenham outra renda formal e que ela seja equivalente ao menos de um piso. Quem tem renda formal inferior ao mínimo terá pensão de ao menos um salário.
Forma de alteração: PEC paralela.
Impacto fiscal: R$ 40 bilhões em dez anos.

Medidas que aumentam receitas

5) Cobrança de contribuições previdenciárias
 

Como a Câmara aprovou: Não prevê cobrança de contribuições previdenciárias para exportadores do agronegócio e entidades filantrópicas.

Como ficou no relatório: Cobrança gradual, em cinco anos, de contribuições previdenciárias do agronegócio exportador. Cobrança gradual das entidades educacionais ou de saúde com capacidade financeira enquadradas como filantrópicas, sem afetar as Santas Casas e as entidades de assistência.
Forma de alteração: PEC paralela.
Impacto fiscal: R$ 120 bilhões em 10 anos. São R$ 60 bilhões referente às filantrópicas, R$ 60 bilhões referentes ao agronegócio.

6) Cobrança adicional no Simples Nacional

Como a Câmara aprovou: sem mudanças.
Como ficou no relatório do Senado: Cobrança no Simples destinada a incentivar as micro e pequenas empresas a investirem em prevenção de acidentes de trabalho e proteção do trabalhador contra exposição a agentes nocivos à sua saúde.
Forma de alteração: PEC paralela
Impacto: R$ 35 bilhões em receitas ao longo de dez anos
 

7) Tempo de contribuição

Como a Câmara aprovou: Prevê tempo mínimo de contribuição de 15 anos para as aposentadorias dos homens que já estão trabalhando e de 20 anos no caso de homens que ainda não ingressaram no mercado de trabalho. 

Como ficou no relatório: Mantém o tempo mínimo de contribuição em 15 anos para homens que ainda não entraram no mercado de trabalho.
Forma de alteração: PEC paralela.
Impacto fiscal:  De acordo com relator, não há impacto fiscal a se considerar nos 10 primeiros anos.

8) Aposentadoria por invalidez

Como a Câmara aprovou: O cálculo da aposentadoria por invalidez passa a ser de 60% da média salarial mais 2% por ano de contribuição que exceder 20 anos.
Como ficou no relatório: Acréscimo de 10% na aposentadoria por invalidez em caso de acidente de trabalho.
Forma de alteração: PEC paralela.
Impacto fiscal: R$ 7 bilhões em 10 anos.  

9) Previdência complementar de servidores da União

Como a Câmara aprovou: Não prevê que servidores federais optem pelo sistema de previdência complementar
Como ficou no relatório: Prevê reabertura do prazo para opção pelo regime de previdência complementar dos servidores federais;
Forma de alteração: PEC paralela.
Impacto fiscal:  R$ 20 bilhões em 10 anos.  
 

10) Cobrança de alíquotas

Como a Câmara aprovou: Prevê contribuições para custeio de regime próprio de previdência social, cobradas dos servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas, que poderão ter alíquotas progressivas. Permite contribuição dos aposentados e pensionistas sobre o valor dos benefícios que superem o salário mínimo quando houver déficit atuarial (ou seja, quando as contribuições não forem suficientes para bancar as aposentadorias e pensões previstas para o futuro).

Como ficou no relatório: Retira a expressão "no âmbito da União" do dispositivo, visando assegurar aos Estados e municípios a prerrogativa de instituir contribuição extraordinária em caso de déficit atuarial.
Forma de alteração: Supressão do texto, não volta para a Câmara. 

11) Cobrança de alíquotas extras de servidores

Como a Câmara aprovou: autorização apenas à União para a cobrança de alíquotas extraordinárias para financiar o déficit do regime dos servidores.
Como ficou no relatório do Senado: retira a restrição da medida, dando autonomia a Estados, Distrito Federal e municípios para implementarem contribuição previdenciária extraordinária, caso necessário.
Forma de alteração: Supressão do texto, não volta para a Câmara. 
Impacto fiscal:  Não citado.



from R7 - Brasil https://ift.tt/2KXE3Ak
via IFTTT
Share on Google Plus

About Brasileiro Nato

Ut wisi enim ad minim veniam, quis nostrud exerci tation ullamcorper suscipit lobortis nisl ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis autem vel eum iriure dolor in hendrerit in vulputate velit esse molestie consequat, vel illum dolore eu feugiat nulla facilisis at vero eros et accumsan et iusto odio dignissim qui blandit praesent luptatum zzril delenit augue duis.

0 comentários:

Postar um comentário