Apenas um juiz respondeu pelos processos de 19% das varas em 2018

Toffoli já apontou que é favorável à medida
Toffoli já apontou que é favorável à medida Marcelo Camargo/Agência Brasil

Levantamento feito pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) sobre a estrutura do Poder Judiciário aponta que, em 2018, em pelo menos 19% das varas um único juiz foi responsável pelos trabalhos na unidade.

O número foi divulgado durante a primeira reunião do grupo de trabalho do CNJ que estudará a implementação da figura do juiz de garantias, prevista em lei aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro no último dia 24.

Leia também: O que é o juiz das garantias e por que a criação desse cargo divide Moro e Bolsonaro

Na Justiça Estadual, o cálculo é de ao menos 19% das varas, enquanto que na Federal ele aumenta para 21%.

De acordo com a nova legislação, um juiz deverá conduzir a investigação criminal, em relação às medidas necessárias para o andamento do caso até o recebimento da denúncia, e outro magistrado ficará com o julgamento do processo. Ou seja, seriam necessários dois juízes.

Presente na reunião, o presidente do CNJ e do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, destacou que o dado é "importante", já que apontaria para um número menor do que foi divulgado recentemente.

"Esse dado é importante porque é bem menor do que estava sendo divulgado", disse.

Leia também: Toffoli diz que juiz de garantias dá mais imparcialidade ao Judiciário

No último dia 25, contrário à criação do juiz de garantias, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou em sua conta no Twitter que 40% das comarcas funcionam com apenas um juiz.

"Leio na lei de criação do juiz de garantias que, nas comarcas com um juiz apenas, 40% do total, será feito um rodízio de magistrados para resolver a necessidade de outro juiz. Para mim é um mistério o que esse rodízio significa. Tenho dúvidas se alguém sabe a resposta", escreveu o ministro.

Diferente de Moro, Toffoli já apontou que é favorável à medida. O presidente Jair Bolsonaro recebeu aval de Toffoli para sancionar a medida. Nesta sexta (3), o ministro afirmou que a figura do juiz de garantias serve para dar "maior imparcialidade ao Poder Judiciário".

Toffoli afirmou também que o juiz de garantias dará "liberdade" para o magistrado que irá instruir o processo ser "mais severo" na investigação, uma vez que não estará comprometido com o julgamento do caso.

"A sociedade tem que refletir sobre isso", disse. A novidade já foi questionada no STF (Supremo Tribunal Federal), que precisará se manifestar sobre a constitucionalidade dessa figura.

Na reunião desta sexta, Toffoli aproveitou também para destacar que a figura do juiz de garantias já foi testada no Brasil por meio do Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais), que funciona no Tribunal de Justiça de São Paulo, e questionou: "Vai anular 40 anos de investigação judicial?".

"Como já se falou, há 40 anos já existe o Dipo em São Paulo. Você vai dizer que é inconstitucional o Dipo? Vai anular 40 anos de investigação judicial?", disse.

Dados

A pesquisa do CNJ também mostra que, na Justiça Estadual, 22% das varas tiveram dois juízes em 2018, enquanto que 59% tiveram três ou mais magistrados atuando.

Na federal, foi registrado 53% das varas com dois juízes em 2018, e 26% com três ou mais.



from R7 - Brasil https://ift.tt/39FiS06
via IFTTT
Share on Google Plus

About Brasileiro Nato

Ut wisi enim ad minim veniam, quis nostrud exerci tation ullamcorper suscipit lobortis nisl ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis autem vel eum iriure dolor in hendrerit in vulputate velit esse molestie consequat, vel illum dolore eu feugiat nulla facilisis at vero eros et accumsan et iusto odio dignissim qui blandit praesent luptatum zzril delenit augue duis.

0 comentários:

Postar um comentário